20 nov

Quem é o prof. Luis Tavares?

Matéria da jornalista Nádia Garcia

Todo dia 31 de Dezembro o menino Luis tinha um ritual, ia até a rua da Consolação com seus pais para ver os gigantes da corrida de São Silvestre. E sonhava: quando eu crescer vou ganhar essa corrida!

Colombiano Victor Mora na Rua da Consolação – 1973

Os pais achavam graça, pois as crianças sonham muito. Além disso o menino Luis tinha problemas ortopédicos, usava bota, sentia muitas dores nos pés e, por não praticar atividade física, não tinha fôlego algum. Ainda assim a corrida o fascinava.

O garoto foi crescendo e começou a se interessar por fotografia, o que parecida ser uma realidade muito mais próxima da sua. Fez diversos cursos e aos 13 anos já fazia batizados e casamentos. E o sonho de se tornar um atleta foi ficando mais distante, assim com muitos meninos desistem de ser bombeiros ou policiais.

O já não tão menino Luis era extremamente tímido, e seu psicólogo insistia para que ele fizesse alguma atividade física. Ele se matriculou no Sesc, mas as aulas coletivas eram uma tortura. Ele chegava a sentir tonturas e enjoos de tanta timidez. O psicólogo, porém, deu-lhe um ultimato, ele tinha duas semanas para se matricular em alguma atividade ou ele não seria mais atendido. Por sorte, abriu uma academia perto de sua casa e, como ele foi o primeiro aluno, se sentiu mais a vontade.

E a vida vai sempre se harmonizando… Assim que ele começou a gostar da academia, encontrou um amigo de infância que lhe fez um convite tentador: vamos correr a São Silvestre? Mal sabia ele que esse convite mudaria sua vida.

A forma como o menino Luis e seu amigo treinaram daria um livro. Eles não tinham experiência alguma, mas sabiam que precisavam treinar. Então acordavam às 5 da manhã e subiam a Peixoto Gomide correndo feito doidos. Os pais achavam que os garotos estavam ficando malucos. O amigo também achou isso e acabou desistindo, mas o menino Luis, já não tão menino assim, continuou o treino sozinho.

O mês de Dezembro chegou e Luis decidiu se inscrever na corrida de Natal da Corpore, para se ambientar melhor com as corridas antes da São Silvestre. O professor da academia lhe deu algumas dicas, orientou-o a ficar junto ao pelotão de elite para ter mais chances na corrida. Ele tinha treinado bastante e foi para a prova achando que tinha grandes chances de ganhar.

 

Até que foi dada a largada e ele saiu correndo feito um louco para conseguir acompanhar os caras da elite. Com 200 metros Luis já estava com a língua de fora e com 500 metros ele já estava andando…

Mil coisas passaram por sua cabeça, ele teve certeza, por um momento apenas, que aquilo não era para ele e pensou em desistir da São Silvestre. Mas ele voltou a correr, os quilômetros foram passando e ele terminou seus primeiros 10km em 52 minutos.

Esse fato foi importante para que ele se ambientasse no universo das corridas e para que participasse da São Silvestre com os pés mais no chão, sabendo, por exemplo, que não tinha condições de ganhar a prova. Com tudo isso ele não desistiu e terminou o ano com a medalha dos 15km mais famosos do Brasil em mãos.

Depois de tanto sofrimento ele pensou “ufa, não vou ter que treinar mais”, achou que já tinha cumprido a missão. Mas duas semanas se passaram e a saudade da endorfina tomou conta de seu corpo e ele só pensava “tenho que voltar a correr”. O esporte solitário era perfeito para o menino tímido.

Na década de 80 as coisas, no universo da corrida, eram muito diferentes do que são hoje. Não havia cultura da corrida, não existiam assessorias esportivas, o esporte muitas vezes era marginalizado e somente pessoas que tinham dinheiro conseguiam treinar. Atletas carentes treinavam sozinhos, sem orientação profissional e os demais precisavam pagar por um personal trainer, muito caro na época.

Maratona de Blumenau – 1993

Foi ai que o menino Luis saiu de cena e surgiu o TAVARES.
Mesmo sabendo de todas as dificuldades, Tavares nunca mais deixou de treinar e foi pegando cada vez mais gosto pela corrida. Fez esforços para continuar pagando por serviços de um personal trainer. Por outro lado ele via muitos atletas com grandes chances de ganhar corridas treinando sozinhos e de forma errada.

Junto com a paixão pela corrida veio a frustração com a fotografia, numa sequência de trabalhos que lhe causaram grande decepção. Mas Tavares sempre foi um homem de visão e teve outra ideia: ia fazer faculdade de educação física para se tornar um treinador, principalmente para treinar aqueles atletas carentes, que ele sempre via se dedicando tanto, mas não podiam pagar.

 

 

 

Em 1994 nascia a Equipe de Corredores Tavares.

Com o CREF nas mãos, Tavares foi para o parque do Ibirapuera apenas com um banquinho e uma prancheta em mãos. Durante 3 meses treinava apenas uma aluna, a Alda, que acreditou no seu trabalho e esta com o professor até hoje. Aos poucos foi atraindo alunos, que viam o treinador ali na Praça do Sino e iam pedir informações. Sua mãe também lhe ajudava muito, panfletando nas corridas.

Enquanto os demais treinadores cobravam por hora/aula ou 50 dólares para treinos em grupo, Tavares cobrava apenas 8 dólares por mês. Isso foi atraindo principalmente os atletas mais carentes, pois esse preço todos podiam pagar.

Ele fechou o primeiro ano com 18 alunos, quase todos atletas carentes, que foram se destacando e pegando pódio em corridas. A EC Tavares foi fazendo seu nome, mas os atletas com maior poder aquisitivo tinham muito preconceito e acabavam se matriculando em outras assessorias. Porém, com os bons resultados dos atletas e com as constantes aparições na mídia, as pessoas foram derrubando preconceitos e atletas de todas as classes sociais passaram a fazer parte da EC Tavares.

 

Hoje não existe mais menino tímido, hoje existe um grande profissional que já colocou muito atleta no pódio e que já ajudou muitas pessoas a mudarem seu estilo de vida.

Hoje existe o multiprofissional de esportes e turismo que já levou muita gente para realizar seus sonhos pelo mundo. Aquele menino tímido que passava mal quando ficava no meio de outras pessoas, criou uma grande família que se orgulha de carregar o sobrenome Tavares.

 

 

 

Corrida em homenagem ao Professor Tavares Americana – SP

Um filósofo moderno, chamado Danilo Régis, costuma dizer que todos os heróis são conceituais e que mais importante do que estar certo é ser gentil, e muito mais importante do que ser gentil é ser útil e fazer a diferença de forma positiva na vida das pessoas.

Quando falamos no professor Tavares muitas pessoas não sabem que ele foi um dos principais responsáveis pela popularização dos treinos de corrida, muitas pessoas não sabem quantas pessoas ele já ajudou e quantos atletas mudaram suas vidas através de suas mãos.
Estamos diante de um grande homem, embora ele se apresente apenas como um treinador.

 

Parabéns, Professor!

Você nos ensina muito mais que correr, mas nos ensina que é possível adaptar e realizar todos os nossos sonhos.

Você nos ensina que juntos somos mais fortes e mais felizes.

Agradecemos por fazer a diferença de forma positiva na vida de todos nós.

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4 Responses

  • Vera Lucia Vaz Rodrigues

    Parabéns Tavares pela trajetória. Muito linda a história tenho orgulho em treinar com você.

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    • wp_tavares

      Eu que agradeço por ser minha aluna!

      Reply
  • Teixeira

    Orgulho de fazer parte da Família E C Tavares

    Reply
    • wp_tavares

      Muito obrigado, eu que agradeço por fazer parte do grupo!

      Reply

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